quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A INSUPORTABILIDADE DA INSEGURANÇA: O PJe-JT e o Firefox 64bits.


O TRT de Minas Gerais divulgou advertência ao usuários do PJe-JT a respeito de problemas que podem ser enfrentados pelos usuários que atualizarem seu navegador Firefox para a versão 64 bits.

Nessa versão, ficam comprometidas funcionalidades básicas do PJe-JT como login e assinatura, ou seja, fica inviabilizado o uso do sistema. Diante do problema, o tribunal solicita que os usuários não atualizem suas versões do navegador  e, àqueles que já a atualizaram, informa ser necessário o retorno à versão anterior.

Põe a central de atendimento à disposição dos que tiverem dificuldade com "a desinstalação e volta à versão 32bits". E informa, ainda, o óbvio: que estão trabalhando na busca de uma solução. Isso, no entanto, indica que o problema está no PJe-JT e não no firefox.

Até que ponto é suportável a tecnologia criar/deletar direitos?


Faz sentido esta pergunta? Sem dúvida.
Tem conexão com o assunto desta postagem? Sem dúvida, também.
Impedimentos de acesso ao sistema significam, diretamente, possibilidade real de descumprimento de prazos.
E prazos são, em direito e no processo, constituintes de direitos e obrigações ou destrutores de direitos e criadores de obrigações!
Preclusão temporal é, talvez, do ponto de vista processual, o vírus mais temido, contra o qual não há vacina! E problemas tecnológicos, como os reportados, são um agente transmissor do risco da perda de prazo indiscutível.

32 bits é uma tecnologia com fim anunciado há tempo!


É interessante que o mundo  "32 bits" já era faz tempo. Quando o TST lançava, em Navegantes, o PJe-JT, em dezembro de 2011, era anunciado o início do fim dos processadores 32bits. Veja "O início do fim dos 32 bits"!  

Vinculação PJe-JT e Firefox


Essa vinculação PJe-JT x Firefox (único navegador homologado para operação do sistema!)  é uma armadilha que precisa ser tirada do caminho dos advogados. Com o uso por 20% dos usuários da internet do mundo, o "navegador raposa" pode ser considerado uma potência, é verdade.  Mas obrigar os 80% que preferem outros navegadores a terem de recorrer à raposa para poder operar o PJe-JT não parece racional.
Os bancos fizeram o movimento na direção da multiplicidade de plataformas de navegação. Outras grandes empresas têm seus sistemas web multiplataforma.  Por que não o PJe-JT?
Afinal, provavelmente perto de um milhão de usuários - advogados, estagiários, secretárias, servidores, juízes, procuradores - são obrigados a sujeitar-se à opção. E com riscos como o que agora se apresenta, sem que haja via alternativa.


Enfim, numa atividade em que os prazos são peremptórios e "criam ou apagam direitos", sem apelação, a convivência com esses sustos é uma espada afiada sempre presente na cabeça dos advogados e, o que é pior, de seus clientes que, ao final e ao cabo, são os realmente atingidos.   

4 comentários:

  1. Excelente aviso e ponderação sobre o tema. Há muito que se respeitar na inserção de novas tecnologias forenses. Entretanto, isso não parece ser preocupação dos desenvolvedores de programas. E nem os advogados que devem reagir não o fazem, infelizmente. Uma assessoria ou uma boa ouvidoria talvez resolvessem alguma coisa.

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  2. Caríssimo Dr Rufino,
    Infelizmente, este problema só tem se acentuado. Do ponto de vista técnico, a concepção e as escolhas feitas para o desenvolvimento do sistema trazem, inapelavelmente, este problema com elas.
    Sucesso!

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  3. Caríssimo Dr Rufino,
    Infelizmente, este problema só tem se acentuado. Do ponto de vista técnico, a concepção e as escolhas feitas para o desenvolvimento do sistema trazem, inapelavelmente, este problema com elas.
    Sucesso!

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  4. Só uma coisa: Estagiários dos tribunais e varas não tem acesso - não são cadastrados como usuários - ao PJe. Como Diria aquele locutor: - Pode, Arnaldo???

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